23 de out de 2011

UM CRISTÃO ATEU - DO BLOG SAÚDE, SABER E VIRTUDE

Um Cristão Ateu


Introdução por Cleiton Heredia
O proselitismo religioso é algo muito praticado pelos cristãos, pois eles acreditam que são portadores de uma mensagem única cuja compreensão e resposta pessoal pode decidir o destino de toda a raça humana.
O brilhante texto a seguir, de autoria do criador e editor do site DEUSILUSÃO, é um dos muitos exemplos que temos de cristãos que nunca ousaram sair da caixinha de porcelana onde estão presos, mas que se postam arrogantemente como libertadores de um mundo em trevas, sendo que estas tais trevas são todas as filosofias religiosas que divergem daquela que eles defendem.

Se você é um cristão que acha que eu irei para o inferno ou que vou virar churrasquinho no dia do juízo final, por favor leia este texto com atenção e me responda uma pergunta muito simples:

- Que garantias irrefutáveis você tem para me apresentar de que possui a verdade e de que todos os demais que não pensam como você estão no erro?


UM CRISTÃO ATEU
por Valmidênio Barros

Eu tenho um primo evangélico que está sendo “treinado” para se tornar pastor da igreja dele. Um belo dia, ele veio aqui em casa e me fez uma pergunta bem estranha:

— E aí, Barros, já encontrou Deus?
— Eu não! Era pra eu tá procurando?

Isso levou a uma conversa já bem comum pra mim: o crente fanático querendo me vender a droga que ele usa. Daí que eu aproveitei que o interlocutor era meu primo — e muito provavelmente não iria me descer a porrada depois que eu não aceitasse a droga oferecida — e testei uma nova abordagem da discussão.
Eu disse a meu primo que iria conversar com ele sobre Deus, desde que ele concordasse em imaginar que eu também estaria sendo abordado, naquele exato momento, por um crente emLord Brähma. Ele topou. E aí estão os melhores momentos:
— Mas por que você não acredita em Deus, Barros?
— Uai! O cara tá me fazendo lá a mesma pergunta: “Por que eu não acredito no Lord Brähma?”.
 tu? Por que não acredita no Lord Brähma?
— Eu creio no único Deus verdadeiro.
— Não perguntei no que você crê. Perguntei por que você não acredita no deus do meu amigo lá do outro lado do Atlântico.
— Porque Deus é único!
— Ó, o cara disse que discorda de você.
— Não faz a menor diferença que ele discorde.
— Pois é: ele disse também que não interessa que você discorde dele. E que foi Lord Brähma o criador do universo.
— Ele pode pensar o que quiser. Deus é o criador do universo e a Bíblia é a sua revelação para a humanidade.
— Mas ele falou a mesma coisa, acredita? Que você pode pensar o que quiser, e que nada vai mudar a verdade. Que, no caso dele, é outra. E que, também, a revelação do deus dele para o povo dele é bem anterior à do seu deus para os hebreus… Que esse “para a humanidade” tá forçando a barra. Qual de vocês está certo, afinal?
— Está certo aquele que está do lado da verdade.
— Qual é a verdade? Deus criou o universo? Ou Lord Brähma criou o universo?
— A verdade está na Bíblia.
— E por que a verdade não está no Mahabharata, por exemplo?
— O que é isso?
— Mas você não sabe? Então que garantia você tem de que a verdade não está nesse texto
agrado e não no seu?
— A garantia que eu tenho é a de que Deus apenas deixou a Bíblia para ser sua forma de comunicação com o homem.
— E se num livro sagrado hindu estiver escrito que outros deuses falsos serão venerados e isso levará uma grande parte da raça humana para o Inferno de Lord Brähma? Você não estaria lascado?
— Barros, não dá pra discutir com quem rejeita a Bíblia como a palavra de Deus.
— E o crente lá da Índia tá dizendo que não dá pra discutir com quem rejeita o Mahabharata e os outros textos sagrados deles como a revelação de Brähma. Não é interessante?
— Só existe um Deus.
— Você, então, não acredita em Lord Brähma…
— Claro que não.
 E por quê?
— Porque não existe outro deus além do Deus vivo!
— Você não toparia estudar alguns textos hindus, frequentar alguns templos onde se pratique o hinduísmo, conhecer a filosofia deles, enfim, você não toparia procurar por alguma revelação de Brähma pra você?
— Não.
— Por quê?
— Não vejo razão para isso.
— Então não me peça pra procurar o seu Deus também. Porque você não vê razão para procurar Brähma, o hindu não vê razão para procurar mais outro deus além dos milhares que eles já têm, e eu não vejo razão para procurar deus nenhum.

20 de out de 2011

PREGUIÇA OU FALTA DE TEMPO?

Por que nossa mente é tão fértil de idéias e pensamentos e nosso corpo teima em não acompanhá-la?
Preguiça ou falta de tempo?
É uma questão difícil de saber.



21 de ago de 2011

Energias renováveis oferecem a maior oportunidade do nosso tempo

Richard Branson


  • Encontrar maneiras de fornecer energia renovável, produzir água limpa e descobrir como preservar ambas são os desafios que fornecem maiores oportunidades na nossa época
    Encontrar maneiras de fornecer energia renovável, produzir água limpa e descobrir como preservar ambas são os desafios que fornecem maiores oportunidades na nossa época
Tendo em vista a situação atual da economia mundial, as lideranças podem sentir que as perspectivas não são boas para as suas firmas recém-criadas ou companhias estabelecidas há mais tempo. Vendo que as economias de vários países europeus estão sendo castigadas pela crise do débito, que o Congresso dos Estados Unidos tem dificuldade de chegar a um acordo quanto ao aumento do teto da dívida do governo – algo que não seria problema em nenhum outro país – e que há no horizonte a possibilidade de uma nova recessão global, alguns executivos estão fazendo escolhas conservadoras como preparação para os tempos difíceis que viriam por aí.
Mas este não é o momento de ficar obcecado com segurança: nunca deixe que as ideias dominantes sobre os mercados afetem o seu raciocínio sobre novos investimentos. Os tempos de incerteza são muitas vezes os melhores para se criar novos empreendimentos – funcionários talentosos estão dispostos a experimentar novas ideias e os fornecedores a reduzir os preços a fim de obter novos clientes e vendas extras. O segredo é encontrar um produto ou um serviço que se destaque por melhorar a vida das pessoas.
Vários leitores desejam saber quais são as indústrias e setores nos quais os empresários deveriam estar prestando atenção em meio a este clima econômico. Em ocasiões passadas a Virgin procurou com frequência oportunidades naquelas indústrias nas quais os líderes de mercado não estavam apresentando um bom desempenho ou que não tratavam o consumidor de maneira apropriada – nós tivemos sucesso nos setores de aviação, telefonia celular e serviços financeiros. Mas agora nós estamos nos concentrando no setor verde: encontrar maneiras de fornecer energia renovável, produzir água limpa e descobrir como preservar ambas. Nós acreditamos que esta área é a que fornece maiores oportunidades na nossa época.
Lembre-se de que a nossa sociedade depara-se neste momento com desafios práticos que exigem um pensamento inovador, e até mesmo revolucionário – o que é uma boa notícia para os empreendedores. Como fornecer energia, alimentos e água suficientes para atender às demandas da nossa crescente população global? Como retirar bilhões de pessoas da pobreza sem esgotar os recursos naturais? Será que nós poderíamos resgatar e proteger, simultaneamente, os sistemas naturais de apoio à vida, dos quais dependemos?
Se você está cogitando entrar neste setor, procure avaliar onde se podem encontrar oportunidades estruturais na sua região. Deve haver oportunidades em quase todos os mercados: a Agência Internacional de Energia calcula que o consumo global de energia aumentará quase 40% nos próximos 20 anos; para atender à demanda global até 2035, a nossa sociedade precisará fazer investimentos de US$ 33 bilhões em infraestrutura para o fornecimento de energia.
Os grandes produtores de petróleo argumentam que existe petróleo suficiente para atender a essas necessidades, mas questões relativas à mudança climática global e preocupações quanto à estabilidade política dos países produtores de petróleo fazem com que governos de todo o mundo se voltem para outras opções. Antes do desastre nuclear no Japão no início deste ano, muita gente acreditava que a energia nuclear fosse a alternativa mais forte, e agências públicas e companhias privadas estavam investindo nessa área. Mas novas preocupações relativas à segurança fazem com que se dê mais ênfase às fontes de energia renováveis.
De fato, os analistas preveem que as fontes de energias renováveis como a solar, a eólica, a hidráulica e os biocombustíveis suprirão em breve um quarto das nossas necessidades. A última previsão feita pela firma de pesquisa Clean Edge Incorporation sugere que as vendas conjuntas de energia solar, eólica e biocombustíveis aumentarão de US$ 188,1 bilhões em 2010 para US$ 349,2 bilhões em 2020.
Se você está em uma região na qual as reservas de água doce são escassas, talvez seja melhor examinar essa área. A escassez de água só vai piorar: segundo projeções das Nações Unidas, até 2030 mais de 60% da população mundial – um total de 5 bilhões de pessoas – estará vivendo em áreas urbanas. Por meio do Fundo Verde da Virgin, nós investimos em um projeto de dessalinização chamado Seven Seas Water a fim de criarmos reservas de água doce em locais onde há grande carência desse recurso, como o Caribe. Fornecer água doce de uma forma sustentável e ambientalmente sensata é um desafio técnico: a sua equipe está pronta para fazer frente a uma tarefa tão empolgante?
Uma outra área que oferece oportunidades é a de eficiência da utilização de energia e de água, que inclui desde lâmpadas até materiais isolantes e pias de cozinha. Essa é a forma mais eficiente, sob o ponto de vista dos custos, de reduzir as emissões de dióxido de carbono, e ao mesmo tempo de fazer com que os nossos recursos naturais durem mais tempo. Um estudo recente da McKinsey revelou que se fossem investidos US$ 170 bilhões anualmente em eficiência energética nos próximos nove anos, o aumento da demanda por energia seria reduzido pela metade – um grande passo para reduzir as emissões de gás carbônico e evitar níveis desastrosos de aquecimento global. Se você e a sua equipe estão em busca de um trabalho compensador e que faça sentido, pense em fazer a sua parte para proteger o futuro do nosso planeta!
Tradução: UOL

3 de ago de 2011

DEUS PROMOVE DIVISÕES EM IGREJAS

Soube hoje de uma igreja que se dividiu com pessoas que conheci profundamente.
O pior é que as pessoas que saíram dizem que não foi divisão, mas provisão de Deus para o seu reino se multiplicar. Para que na terra haja mais espaço para a pregação de sua palavra. Se não fosse trágico, seria engraçado, porque isso causa sérias feridas e grandes estragos na vida de muitas pessoas.
Então quer dizer que, Deus enche a cabeça das pessoas de pensamentos uns contra os outros, faz com que as pessoas saiam magoadas umas com as outras, que alguns peguem os pertences dos outros, que cada um vá interpretar a bíblia do seu jeito, que ninguém respeite a autoridade de ninguém, que ninguém ame a ninguém por causa das diferenças sociais e ainda dizem que isso é providência de Deus para que seu reino se multiplique? Isso é totalmente insano.
Cada dia mais eu não consigo aceitar esse deus insano. Deve ser assim, pois a bíblia diz que somos sua imagem e semelhança e nada mais somos do que medíocres e insanos. Então, se somos sua imagem e semelhança, é olhar para nós mesmos e vermos o próprio deus. É só olhar também em todo o livro, o que vemos são poças de sangue espalhadas em todas as páginas. Massacre de crianças, homens, mulheres que não andaram dentro da vontade do deus judeu e a ordem era para matar. Assim são as divisões, se penso diferente de você temos que nos dividir, pois não há clima para ficarmos juntos. E olhe, é vontade de deus. Cale a boca.
O pior é que todos acham que falam a verdade. Verdade? 
Balela essa de providência de deus.

27 de jul de 2011

NÃO TENHO FÉ SUFICIENTE PARA SER ATEU - PARTE II

NÃO TENHO FÉ SUFICIENTE...

            De acordo com os autores, “a verdade sobre a realidade pode ser conhecida” e o “oposto de verdadeiro é falso”.
            Não quero fundamentar minha opinião em artigos filosóficos ou outros quaisquer, mas sim daquilo que passei e do que penso hoje em dia.
            Pergunto-me: será que esta verdade a qual eles relacionam realmente pode ser conhecida? Eles afirmam que “muitas pessoas em nosso país não suportam a verdade”, para basear sua colocação absurda à página 36 que diz o seguinte: “Embora poucos admitam, nossa rejeição à verdade religiosa e moral frequentemente está baseada em fundamentos volitivos e não intelectuais, simplesmente não queremos submeter-nos a qualquer padrão moral ou doutrina religiosa”.
            Desde pequeno aprendemos sobre religião mesmo contra a nossa vontade e com isso, passamos a tê-la, muitas vezes, pelo resto da nossa vida, a não ser quando chegamos ao ponto de parar e questionar muitas coisas. Desde criança somos designados a nos submeter à moral religiosa e aos padrões religiosos, a pensarmos como tais e agir como tais, pois fora dela não há moral e nem caráter.
            Eu não tive a oportunidade de rejeitá-la, mesmo porque meu padrão intelectual não me dava respaldo para isso e cresci com este temor. Padrões morais não são exclusivos de pessoas religiosas, mas sim de pessoas com boa índole e caráter, formado dentro de famílias que aprenderam a amar uns aos outros e a conversar e se entenderem e aceitar as diferenças dentro delas. Isso é pura arrogância religiosa achar que os padrões são formados dentro da igreja. São formados dentro da família e sempre defendi quando era pastor. Igreja nenhuma, pastor nenhum e nem padre ou o que quer que seja, tem o poder de formar caráter e personalidades, mas sim a família.
            Hoje em dia não me submeto mais aos padrões religiosos por achar um absurdo e incoerentes com o padrão realidade, razão e vida.
            Falaram tanto, deram tantas voltas e acabaram explanando que a verdade é demonstrada em idéias certas e erradas. Para isso não precisamos de padrões morais religiosos. Todos sabem e possuem idéias do que sejam atitudes certas e erradas, através das conseqüências de seus próprios atos e também por outras pessoas que possam nos ajudar a distingui-los por terem passado por experiências idênticas.
            Está bem explícito nas colocações que o certo é estar dentro dos padrões religiosos e com Deus. Essa é a verdade da realidade, que é justamente o padrão religião e Deus, fora disso você é apenas um amoral e cego.
            É conhecido na história que as maiores atrocidades cometidas pela humanidade sempre se relacionou e ainda se relaciona com religiões. É só vermos o ataque na Noruega esta semana em que o terrorista afirma que odeia judeus e muçulmanos. São tão específicos nesta colocação que perguntam: “se você morresse esta noite e se apresentasse diante de Deus e ele lhe perguntasse:’Por que eu deveria deixar você entrar no céu?’ o que você diria?”
            Isso torna a pessoa religiosa detentora da verdade e do conhecimento desta realidade verdadeira, os outros são apenas detentores de falsas idéias. Puro proselitismo. Proselitismo barato e de argumento fraco.
            Além do que, afirmam ser a religião cristã evangélica a correta, pois a bíblia ordena que as outras crenças sejam questionadas. Não há parâmetros para que a bíblia seja ou tenha autoridade para questionar algo, visto que já foi alterada milhares e milhares de vezes, de acordo com que cada copista transcrevia e, até nos dias atuais, tem sofrido muitas alterações.
            Eles deviam e devem saber que existem hoje pessoas que já passaram por estas experiências religiosas, foram convencidos algum dia por estas verdades, mas que no determinado momento, poderam constatar, através do questionamento e da dúvida, que esta tal verdade não é tão verdade assim, quando comparada à realidade.

25 de jul de 2011

EXCELENTE: ACHEI DE MUITO BOM GOSTO DO REINALDO AZEVEDO





25/07/2011
 às 16:10

Amy Winehouse, João Pereira Coutinho, os abutres e por que Adele deve continuar a comer batatas

Estou de volta. Vamos lá. Discordar de quem habitualmente costumo discordar é exercício um tanto enjoativo. Penso, por exemplo, em Renato Janine Ribeiro, e começa a me dar aquela preguiça… Melhor discordar de alguém com quem, habitualmente, concordo. É o caso de João Pereira Coutinho, que escreve hoje na Folha Online sobre Amy Winehouse — de quem nunca falei no blog porque, de fato, ela não me dizia e não me diz nada. Prefiro Adele, que leva jeito de exagerar nas batatas. A grande arte extrai o incomum da vida comum. O artista marginal é uma invenção cretina do século 19.
Coutinho pôs seu talento para NÃO DISCUTIR um tema, desqualificando os que decidiram fazê-lo. Assim, escreveu o que parece ser um não-texto sobre um não-assunto. Vamos ver. Diz ele:
“Morreu Amy Winehouse e os moralistas de serviço já começaram a aparecer. Como abutres que são.”Parece que abutres são todos os moralistas, não apenas os que buscam “moralizar” a morte da cantora. Sem usar umas duas ou três linhas a mais para especificar de que moralismo está falando, parece descartar por inútil boa parte da filosofia, que se ocupa justamente da moral. “Ele fala de ‘moralismo’, não distorça”. É? Não tenho eu de preencher o conteúdo que ele decidiu deixar em branco. O texto nos autoriza a jogar no lixo tanto o motorista de táxi inconformado com o “tóchico” como Santo Agostinho.
Coutinho não gosta do que anda lendo a respeito de Amy:
“Não há artigo, reportagem ou mero obituário que não fale de Winehouse com condescendência e piedade. Alguns, com tom professoral, falam dos riscos do álcool e da droga e dão o salto lógico, ou ilógico, para certas políticas públicas.”Eu considero uma proteção civilizadora falar de quem morre com “condescendência e piedade”. Abutres destroem a carcaça e garantem a sua própria vida alimentando-se da coisa morta. A cultura da droga, esta sim, alimentou-se de Amy, referendando a mitologia estúpida de que aquilo que a destruía era a sua fonte de criação e de fruição. A cantora fez do mundo um palco e se esfarelou em praça pública.
Coutinho é dos melhores articulistas da imprensa brasileira, um dos mais cultivados, e sabe que toda vida é expressão de um conjunto de valores morais, queira o vivente ou não. Com mais propriedade o são as personalidades públicas, cujo trabalho depende dessa publicidade. Sua vida tem, queira ou não,  um sentido exemplar. Voltemos à mimese aristotélica: é preciso representar dramas críveis para que se possa extrair um sentido — com o perdão da palavra — MORAL do que está sendo encenado. Assim, que se busque, a partir de Amy, extrair uma espécie de moral da história, de sentença, é mais do explicável; é, na verdade, necessário; está dentro das regras do jogo.
Pergunto-me até onde — na verdade, afirmo-o — Coutinho não se quedou vítima do mal que denuncia. Segundo entendi, ele ficou irritado com o tom catequista e catequizador dos que decidiram falar sobre a morte de Amy, ignorando o fato em si para se fixar no que seria uma pauta, uma agenda. Não faz o autor a mesma coisa? Também ele não está forçando a mão para defender uma tese? Também ele não usa Amy para expressar um ponto de vista sobre o vício e sobre a legalização das drogas?
Deslegitimar um ponto de vista contrário, sem debatê-lo, como expressão de uma visão meramente reacionária ou atrasada de mundo, meu caro Coutinho, é prática corriqueira dos esquerdistas que vivem a atacá-lo e a me atacar com boçalidades — como se, de resto, pensássemos a mesma coisa; é que acham que pensamentos a mesma coisa só porque divergimos deles…
Segue Coutinho:
Amy Winehouse é, consoante o gosto, um argumento a favor da criminalização das drogas; ou, então, um argumento a favor de uma legalização controlada, com o drogado a ser visto como doente e encaminhado para a clínica respetiva. O sermão é hipócrita e, além disso, abusivo.Por quê? O autor reclamou do salto “lógico, ou ilógico” dos que usam Amy como exemplo para debater certas políticas públicas. Muito bem! O que vai nessas linhas acima? Não está dado aí o salto “lógico, ou ilógico”. Aqui é preciso um pouco de cuidado. Eu, por exemplo, acho que, dado o desfecho trágico, é “lógico” que se defenda a criminalização das drogas — meu argumento principal, no entanto, como sabem todos, nunca esteve relacionado ao destino de pessoas tomadas individualmente; isso é incontrolável —, mas não vejo lógica na eventual defesa da legalização controlada. Adiante.
Sim, concordo em parte com Coutinho:
Começa por ser hipócrita porque este tom de lamentação e responsabilidade não existia quando Amy Winehouse estava viva e, digamos, ativa. Pelo contrário: quanto mais decadente, melhor; quanto mais drogada, melhor; quanto mais alcoolizada, melhor. Não havia jornal ou televisão que, confrontado com as imagens conhecidas de Winehouse em versão zoombie, não derramasse admiração pela ‘rebeldia’ de Amy, disposta a viver até o limite.Sempre lastimei cá comigo — nunca escrevi a respeito porque, francamente, essa moça nunca tomou mais de cinco minutos do meu tempo — essa glorificação do pé-na-jaca. Sentia pena de Amy não porque me visse compelido a salvá-la ou porque me julgasse dotado de uma visão superior que ela ainda não havia alcançado, mas porque, se somos todos cadáveres adiados, ela era um dos casos de cadáver apressado. Mas que, atenção — e é esta dimensão que Coutinho ignora em seu texto — PRODUZIA VALORES. Era e é escandalosamente visível que seus fãs admiravam e admiram menos as eventuais qualidades estéticas de seu trabalho do que sua “entrega”. O que fazia de Baudelaire um Baudelaire? Eu ainda acho que era a sua habilidade em fazer versos.
Amy não era, como se lê agora, uma pobre alma afogada em drogas e bebida. Era alguém que criava as suas próprias regras, mostrando o dedo, ou coisa pior, para as decadentes instituições burguesas que a tentavam “civilizar”.Não fica claro se Coutinho é irônico ao se referir às “decadentes instituições burguesas”. É possível que sim. Eu estou entre aqueles que acreditam que Amy fez as suas escolhas. E ponto! Mas o autor me parece errado ao afirmar que a cantora criava as suas próprias regras. Amy era um estúpido, aborrecido e, como todos, previsível clichê. São menos perversos — e ilógicos — ou “moralistas” os que usam sua morte como um alerta do que os cretinos que a consideram uma espécie de coroamento da obra.
A exemplo de Amy, Coutinho faz as suas escolhas, e eu também. Todo artista é, reitero, em certa medida, exemplar, a menos que produza apenas para si mesmo, e artista não é porque falta o “outro” que lhe confere sentido. Dado isso, a censura ao comportamento de Amy é muito mais civilizadora do que a apologia. Esta, sim, marca um compromisso com a morte. Nenhum estado é autoritário o bastante a ponto de proibir o suicídio, mas eu estou entre aqueles que têm um compromisso moral com a vida, sem a qual todo o resto é inútil.
E quando o pai da cantora veio a público implorar para que parassem de comprar os seus discos –raciocínio do homem: era o excesso de dinheiro que alimentava o excesso de vícios– toda a gente riu e o circo seguiu em frente. Os moralistas de hoje são os mesmos que riram do moralista de ontem.Bem, acho que não. O raciocínio do pai de Amy não era moralista, mas apenas desesperado. A palavra é descabida. Há uma boa possibilidade de haver os “moralistas” de hoje que não riram ontem.
Mas o tom é abusivo porque questiono, sinceramente, se deve a sociedade impor limites à autodestruição de um ser humano. A pergunta é velha e John Stuart Mill, um dos grandes filósofos liberais do século 19, respondeu a ela de forma inultrapassável: se não há dano para terceiros, o indivíduo deve ser soberano nas suas ações e na consequência das suas ações.Eis aí. Coutinho decidiu usar o caso de Amy para, digamos assim, testar a fortaleza de seu liberalismo. Os chamados “liberais-liberais” (à diferença deste “liberal-conservador”) fizeram certa aliança tática com as novas esquerdas na defesa da descriminação das drogas — e esse é o tema subjacente; Amy é só o cadáver do dia  — porque, afinal, todos têm o direito ao suicídio. A última aparição pública de Amy, visivelmente transtornada, foi no show de uma garota de 15 anos — na fila dos cadáveres apressados, segundo entendi —, fazendo praça de seu estilo de vida. Dano a terceiros? Acho que sim, Coutinho!
A reprimenda aos que fazem a apologia da morte e da autodestruição — especialmente quando, em razão de sua atividade,  podem influenciar o comportamento de outras pessoas, de jovens em particular — é a outra face da liberdade de expressão, Coutinho.
Bem dito. Mas não é preciso perder tempo com filosofias. Melhor ler as letras das canções de Amy Winehouse, onde está todo um programa: uma autodestruição consciente, que não tolera paternalismos de qualquer espécie. O tema “Rehab”, aliás, pode ser musicalmente nulo (opinião pessoal) mas é de uma honestidade libertária que chega a ser tocante: reabilitação para o vício? Não, não e não, diz ela. Três vezes não.Nada haveria a acrescentar ao texto não fosse Amy parte da indústria de entretenimento e não vendesse valores. “Honestidade libertária”? Honestidade, talvez: “Sou drogada mesmo, e daí?” Mas “libertária”? A liberdade que nasce de um vício é uma revolução conceitual que requer desdobramentos.
Respeito a atitude. E, relembrando um velho livro de Theodore Dalrymple sobre a natureza da adição (”Junk Medicine: Doctors, Lies and the Addiction Bureaucracy”), começa a ser hora de olhar para o consumidor de drogas como um agente autônomo, que optou autonomamente pelo seu vício particular –e, em muitos casos, pela sua destruição particular.Não conheço o livro. Mas, se a síntese é essa, a sociedade tem o dever, além do direito, de combater os viciados, especialmente aqueles que podem, dada a força do exemplo, convencer outras pessoas de que se produz civilização com autodestruição. O drogado faz a sua escolha, e a sociedade também; ele enfia o pé na jaca, e a ordem legal se encarrega, então, de isolá-lo. Ocorre que as coisas estão caminhando em outro trilho. Já chego lá.
As drogas não se “apanham”, como se apanha uma gripe; não se “pegam”, como se pega um doença venérea; e não são o resultado de uma mutação maligna das células, como uma doença oncológica. As drogas não “acontecem”; escolhem-se. O drogado pode ficar doente; mas ele não é um doente - é um agente moral.Ah, bem. E os que censuram os drogados também são agentes morais, e, portanto, a moral está de volta à conversa. Eu concordo com Coutinho nesse particular. Por isso mesmo, acho essencialmente imoral que a sociedade tenha de arcar com os custos da chamada “reabilitação dos drogados”, como se tornou moda defender hoje em dia. Notem que, respondendo ao autor, estou aqui a debater política pública de combate às drogas, seguindo o salto “lógico, ou ilógico”, do articulista.
Acho a descriminação do consumo de drogas uma tese estúpida também porque ela vem sempre associada às políticas públicas de reabilitação, que custam uma fortuna. Por que os cidadãos não-drogados, os aborrecidos “produtivistas”, que enchem os cofres do estado com parte do seu trabalho, têm de financiar as conseqüências da escolha moral dos viciados? Que escolham! Mas que se reserve à sociedade da ordem a prerrogativa de afastá-los do convício social. Coutinho tem razão: o viciado não é uma vítima; é alguém que escolheu um caminho.
Mais: como explica Dalrymple, que durante décadas foi psiquiatra do sistema prisional britânico, o uso de drogas implica um voluntarismo e uma disciplina que são a própria definição de autonomia pessoal. E, muitas vezes, o uso de drogas é o pretexto para que vidas sem rumo possam encontrar um. Por mais autodestrutivo que ele seja. Moralizar o cadáver de Amy Winehouse? Não contem comigo, abutres.É, nesse ponto, Coutinho volta à sua agenda, dando um salto perigoso: vidas sem rumo encontrariam nas drogas uma direção… A possibilidade aberta não difere em nada da velha mística que cerca as drogas, que abririam caminhos novos da percepção etc e tal. Eu estou entre aqueles que acreditam que Amy viveu e morreu como quis, sim. Mas isso não me basta porque tal constatação vale para algumas centenas de viciados anônimos que morreram hoje mundo afora. Como personalidade pública, ela representava um conjunto de valores, um estilo de vida, uma escolha moral e uma escolha ética. Nesse particular, ela é a expressão clara e insofismável de um desastre. Não só isso. Amy também significa a renovação de um mito estúpido, segundo o qual o talento — e há quem diga que ela era o “ó” do borogodó; não pra mim — nasce de uma espécie de maldição. E não custa notar: Coutinho moralizou o cadáver de Amy Winehouse. A diferença é que ele acha a sua moralização, digamos, moralmente superior à daqueles de quem discorda.
PS: Torço para que Adele continue a exagerar só nas batatas…
Por Reinaldo Azevedo


NOTA: Todo mundo tem mania de santificar as pessoas quando morrem, principalmente quando se trata de um artista, mesmo que ele tenha sido o pior da espécie e não é nenhum exemplo para ninguém. Que o digam as religiões, alguém tem que morrer para que ela surja e ficam cada vez pior.

23 de jul de 2011

LIVRO: NÃO TENHO FÉ SUFICIENTE PARA SER ATEU


           Estou lendo este livro de autoria de Norman Geisler e Frank Turek.
           Já comecei a sentir a fraqueza de argumentos logo nas primeiras páginas denominadas de Introdução.
         Eles começam logo errado no texto dizendo que Ateísmo é religião. Se me lembro bem a denominação ou conceito da palavra “religião” provém de “religare” que é religar o homem à Deus. Mas que deus os ateus acreditam? O cara diz que é uma visão religiosa. Passo a me perguntar também sobre essa inusitada existência: onde ele está? Por que realmente não dá as caras? Se somos sua “imagem e semelhança", não seria justo que ele falasse com seus semelhantes? Por que se cala?
            Frank Turek, ateus não possuem religião e afirmar isso é pura falta de bom senso e capacidade intelectual.
              Ele vai mais longe na página vinte quando diz: “Se Deus não existe, então a conclusão é que a vida de alguém não significa nada”. Mas quem dá a entender que ele não existe, é ele mesmo e a vida vale muito mais do que qualquer coisa, porque depois dela não há mais nada. É viver e aproveitar tudo por aqui mesmo.
          Quando passamos a questionar e a duvidar de muitas coisas, eles vem com aqueles clichês da rebeldia, como está no livro: “Uma vez que a maioria de nós não quer responder a ninguém, ceder nossa liberdade para um Deus invisível (palavras do autor – invisível) não é algo que desejamos fazer naturalmente” (pág: 24). Que argumento fraco. As regras existem independentemente se existe Deus ou não e elas devem ser cumpridas e são denominadas leis e é por causa delas que este mundo não está mais bagunçado.
            O mais ridículo é quando dizem que “os cristãos têm evidências que apóiam suas conclusões”. Procurei isso por muito tempo e verifiquei que as conclusões não possuem evidências coisa nenhuma. Tudo retirado da cabeça humana. Temos uma incrível capacidade de criar e é isso que o homem faz constantemente. Não existem fatos, somente suposições e misticismo que recaem para a fé e com a fé posso pisar até na lua. Precisamos de algo mais concreto. Mais real.
            O mais interessante são as provas reais que estarei começando a ler, que apóiam o cristianismo que eles citam que são 12:
1 – A verdade sobre a realidade pode ser conhecida.
2 – O oposto do verdadeiro é falso.
3 – é verdade que o Deus teísta existe.
4 – Se deus existe, os milagres são possíveis.
5 – Os milagres podem ser usados para confirmar uma mensagem de Deus
6 – O Novo Testamento é historicamente confiável.
7 – O Novo Testamento diz que Jesus afirmava ser Deus.
8 – A afirmação de Jesus quanto a ser Deus foi miraculosamente confirmada.
9 – Portanto, Jesus é Deus.
10 – Todos os ensinamentos de Jesus que é Deus são verdadeiros.
11 – Jesus ensinou que a Bíblia é a palavra de Deus.
12 – Portanto, é verdade que a bíblia é a palavra de Deus.
            Viram como eles têm evidências? E são muitas. Acho muito interessante que todos possam ler para que tenhamos o fechamento das conclusões, pois tratam-se de grandes fatos ocorridos, porque caso contrário (e agora vem as ameaças religiosas) “rejeitar a Deus é o que nos torna livres e criaturas morais e que capacita cada um de nós a escolher nosso destino final” (pag.31).
            Portanto, é melhor eu continuar lendo ou pelo menos tentar, porque a cada página sinto ânsia de vômito.

3 de jul de 2011

CONSIDERAÇÕES SOBRE A HOMOFOBIA

Postado por Eduardo Medeiros DO BLOG CONFRARIA DOS PENSADORES FORA DA GAIOLA.

Indivíduos na parada gay lutando contra a homofobia com muita "inteligência e argumentos sólidos"


Este texto tem por objetivo fazer uma crítica à PL 122 por eu entender que ela será inútil em acabar com o preconceito contra homossexuais e ainda abrirá uma porta oportunista para os pedófilos.
O que propõe a PLC 122?
Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.


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21 de jun de 2011

PARTE I

Resolvi escrever alguma coisa.
Entrei para a igreja com vinte e sete anos de idade. Igreja evangélica. Ou, digamos assim, voltei para a igreja aos vinte e sete anos de idade.
Meu pai estava doente e era minha base de vida, apesar de não conversarmos muito. Mas não achava justo que ele morresse tão jovem. Aos 55 anos de idade, vítima de um câncer em 1994.
Voltando um pouco no tempo, era meio incrédulo nestas coisas religiosas. Meu pai sempre foi um religioso e me levava nas missas todos os domingos junto com minha mãe e meus irmãos. Ainda não sabia o que era Deus ou do que se tratava este nome. Criança. Só queria saber de brincar.
Lembro-me de ter crescido com raiva de igreja porque eu preferiria estar no clube tomando banho de piscina ou mesmo jogando bola com meus primos, como era de costume na ainda pequena cidade de Teresina, estado do Piauí.
Fomos para São Paulo. Moramos quatro anos por lá. Bairro Jardim Bonfigliolli, à Rua Tapejara, não direi o número, pois meu pai vendeu a casa e creio que há moradores por lá. Um grande espaço. Um belo sobrado. Garagem para dois carros. Um corredor por fora enorme que em e meu irmão jogávamos bola de chute a gol. Por dentro da casa, no térreo, duas amplas salas, estar e visitas. Um banheiro de visitas. Uma ampla cozinha e uma área de serviços grande atrás com direito a dependência de empregada. Ao subir a escada estavam os quartos e mais dois banheiros. Saudades grandes. Gostava muito de São Paulo, mas meu pai continuava a nos levar para a missa todos os domingos.
Aquela voz do padre querendo dizer que era de fora, com sotaque arrumado dentro da igreja, assim como os pastores do bispo Macedo, que falam iguais a ele e os gestos são os mesmos. São totalmente preparados e treinados nos seus trejeitos.
Depois de São Paulo fomos para Belém do Pará. Linda Belém, onde conheci minha esposa, onde meus filhos nasceram. As coisas melhoraram, porque meu pai passou a viajar mais e só íamos para a igreja quando ele estava em casa.
Quando completei meus vinte e seis anos, ele aparece com câncer e sua vida começa a decair, juntamente com sua saúde. Alguém disse para mim que Deus era amor e Jesus era fiel e que iria curar meu pai. Aceitei a proposta, minha mãe e meus irmãos também. Estávamos todos emocionados. Angustiados. Tensos. Pois a cada dia meu pai definhava mais e mais. A nossa sorte era que os três mais velhos já trabalhavam e eu estava incluído neste meio.
Foram pastores e mais pastores na minha casa. Pulos, gritos, eu nada entendia daquilo. Meu pai faleceu, apesar dos pulos e gritos e de tantas orações.  Alguém nos pregou que o propósito de Deus era levar nosso pai para que a família se entregasse a Jesus. Com o velho jargão: se não vem pelo amor, vai pela dor. Pensar que eu acreditei nisso!
Dito e feito. Entregamos-nos a Jesus. Nessa época já estava casado. Nasceu meu filho em meio à dor de meu pai. Alguém disse: Deus está dando uma nova vida e uma nova esperança. Seis meses depois morre minha sobrinha de cinco anos com câncer no sangue: leucemia e a quimioterapia a abate muito e ela não resiste. Que nova esperança é essa?
Continuei na igreja. Fui aprendendo coisas que não conhecia. Comecei a ler a bíblia. Dediquei-me profundamente ao estudo dela, tanto que achei que tinha chamado para ser pastor. Fui músico (ainda sou, mas aposentado). Cantava, ministrava. Fui líder de louvor. Criei uma reunião de louvor na igreja denominada Louvor Saudade que até hoje existe dentro dela. Fui líder de ministérios, como o de casais. Fui líder de jovens. Evangelizava. Orientava casais, jovens, adultos e crianças. Participei de muitos movimentos de casais e jovens. Professor em escola bíblica dominical. Fazíamos shows em praça pública. Vigílias de oração. Consagração. Jejum.
Via muitas pessoas falando em “línguas estranhas” (sem tradução), pulos, gritos, cai-cai, mas nunca comigo. Muitos diziam que eu não me consagrava ou não me consagrava direito ou não pedia aquilo para mim. Fiz tudo isso e nada acontecia.
Escrevia artigos para revistas evangélicas. Em 2004 entrei para a faculdade e fiz Teologia. Formei-me final de 2008, início de 2009. 
Era muito proselitista e muito apegado às coisas de Deus. Não aceitava nada que fosse de encontro aos dogmas que aprendi. Não ousava ler outra coisa que não fosse ligado à palavra de Deus. Mas a própria Teologia trouxe-me coisas novas. Pude ver Filosofia. Sociologia. Antropologia. Matérias que nunca tinha estudado anteriormente e comecei a aprofundar-me nas informações.
Não me contentava mais só com o que via e lia na bíblia, comecei a buscar mais leituras. Fui consagrado a pastor em 2009, só que alguma coisa havia mudado.
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